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Ciência da Cruz
A oração da Igreja
Poesia "Noite Santa"
A oração da Igreja (2)
Na festa da Exaltação
da Cruz
“Caminhava com eles”
«Eis-me aqui, venho
para fazer a tua vontade»
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Santa Teresa Benedita da Cruz, Edith Stein
Ciência da Cruz
"O mundo está em chamas! Urge-te
extingui-las? Contempla a Cruz. Do coração aberto brota o sangue do
Salvador. Ele apaga as chamas do inferno. Liberta o teu coração pelo
cumprimento fiel dos teus votos, então derramar-se-á nele o caudal do amor
divino até inundar todos os confins da terra. Ouves o gemido dos feridos do
Este e do Oeste? Tu não és médico, nem mesmo enfermeira, nem podes tratar as
feridas. Estás recolhida na tua cela
e não lhes podes acudir. Ouves o grito agónico dos moribundos e quererias
ser sacerdote e estar ao seu lado. Comove-te a aflição das viúvas e dos
órfãos e quererias ser o Anjo da Consolação e ajudá-los. Olha para o
Crucificado. Se estás unida a Ele, como uma noiva no cumprimento fiel dos
teus santos votos, é o teu sangue o Seu Sangue precioso que se derrama.
Unida a Ele, és omnipresente como Ele. Não podes ajudar aqui ou ali como o
médico, a enfermeira, ou o sacerdote; mas com a força da Cruz podes estar em
todas as frentes, em todos os lugares de aflição. O teu amor misericordioso,
Amor do Coração Divino leva-te a todas as partes onde se derrama o Seu
precioso Sangue suavizante, santificante, salvador"
Santa Teresa Benedita da Cruz [Edith Stein]
(1891-1942), carmelita, mártir, co-padroeira da Europa
A oração da Igreja
“Jesus subiu à montanha para rezar a Deus”
Todas as almas humanas são, em si mesmas, templos de Deus; e este facto
abre-nos uma perspectiva vasta e completamente nova. A vida de oração de
Jesus é a chave para compreendermos a oração da Igreja. Vemos que Cristo
participou no culto divino, na liturgia do seu povo; levou a liturgia da
Antiga Aliança a completar-se na da Nova Aliança.
Mas Jesus não se limitou a participar no culto divino público prescrito pela
Lei. Os evangelhos fazem referências ainda mais numerosas à sua oração
solitária no silêncio da noite, nos cumes selvagens das montanhas, em locais
desertos. Quarenta dias e quarenta noites de oração precederam a vida
pública de Jesus (Mt 4, 1-2). Retirou-Se para a solidão da montanha para
orar antes de escolher os doze apóstolos e de os enviar em missão. Na hora
do Monte das Oliveiras, preparou-Se para subir ao Gólgota. O grito que
lançou ao Pai nessa hora, a mais dolorosa da Sua vida, é-nos revelado em
breves palavras, que brilham como estrelas nas nossas próprias horas no
Monte das Oliveiras: ‘Pai, se quiseres, afasta de Mim este cálice, não se
faça, contudo, a Minha vontade, mas a Tua’ (Lc 22, 42). Elas são uma espécie
de clarão que ilumina para nós, durante um instante, a vida mais íntima da
alma de Jesus, o mistério insondável do Seu ser de homem-Deus e do Seu
diálogo com o Pai. Este diálogo durou certamente toda a vida, sem nunca se
interromper.
Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein, 1891-1942), carmelita, mártir,
co-padroeira da Europa.
Poesia "Noite Santa"
"A fim de que todo o homem que acredita tenha a vida eterna"
Meu Senhor e meu Deus, Tu guiaste-me por um longo caminho obscuro,
pedregoso e duro. As minhas forças pareciam muitas vezes quererem
abandonar-me, Quase não esperava ver mais um dia a luz. O meu coração
petrificava-se num sofrimento profundo Quando a claridade duma doce estrela
se elevou aos meus olhos. Fiel, ela me guiou e eu segui-a Um pouco tímida
no início, mais firme depois. Cheguei, finalmente, à porta da Igreja. Ela
abriu-se. Pedi para entrar. A bem-aventurança acolheu-me pela boca do teu
sacerdote. No interior, as estrelas sucedem-se, Estrelas de flores
vermelhas que me indicam o caminho para ti. E a tua bondade permite que
elas me iluminem no meu caminho para ti. O mistério que me fazia manter
escondido no fundo do meu coração, Eu posso doravante anunciar em alta voz:
Eu creio, eu confesso a minha fé! O sacerdote conduziu-me aos degraus do
altar, Inclino a fronte, A água santa escorre sobre a minha cabeça. Senhor,
é possível alguém renascer em meio da vida? (Jn3.4) Tu o disseste, e isto
para mim tornou-se realidade. O peso das faltas e dos castigos da minha
longa vida deixaram-me. De pé, recebi o manto branco sobre os meus ombros,
Símbolo luminoso da pureza! Levei na mão o círio cuja chama anuncia Que em
mim arde a tua vida santa. O meu coração tornou-se doravante o berço que
espera a tua presença. Por pouco tempo! Maria, tua mãe, que é também a
minha, deu-me o seu nome. À meia-noite ela coloca no meu coração o seu
filho recém-nascido. Oh! Nenhum coração humano pode conceber O que tu
preparas para aqueles que te amam (1Co 2,9). Doravante tu és meu e nunca
mais te deixarei. Onde quer que vá o caminho da minha vida, tu estarás
comigo. Nada jamais poderá separar-me do teu amor (Rm 8,39).
Santa Teresa Benedita da Cruz [Edith Stein] (1891-1942), carmelita, mártir,
co-padroeira da Europa
A oração da Igreja
“O teu Pai vê o que fazes no segredo”
Não se trata de conceber a oração interior, livre de todas as formas
tradicionais, como uma piedade simplesmente subjectiva, e de a opor à
liturgia, que seria a oração objectiva da Igreja; através de toda a
verdadeira oração, alguma coisa se passa na Igreja e é a própria Igreja
quem reza, porque é o Espírito Santo que vive nela que, em cada alma única,
“intercede por nós com gemidos inefáveis” (Rom 8, 26). E essa é,
justamente, a verdadeira oração, porque “ninguém pode dizer ‘Jesus é o
Senhor’ senão por influência do Espírito Santo” (1Cor 12, 3). O que seria a
oração da Igreja se não fosse a oferenda daqueles que, ardendo com grande
amor, se entregam ao Deus que é amor?O dom de si a Deus, por amor e sem
limites, e o dom divino que se recebe em troca, a união plena e constante,
é a mais alta elevação do coração que nos é acessível, o mais alto grau da
oração. As almas que o atingiram são, na verdade, o coração da Igreja;
nelas vive o amor de Jesus, sumo-sacerdote. Escondidas com Cristo em Deus
(Col 3, 3), não podem deixar de fazer irradiar para outros corações o amor
divino de que estão cheias, concorrendo assim para o cumprimento da unidade
perfeita de todos em Deus, como era e continua a ser o grande desejo de
Jesus.
Santa Teresa Benedita da Cruz [Edith Stein] (1891-1942), carmelita, mártir,
co-padroeira da Europa
Meditação para a festa
da Exaltação da Cruz
“Segue-me”
O Salvador precedeu-nos no caminho da pobreza. Todos os bens do céu e da
terra lhe pertenciam. Não representavam para ele nenhum perigo; podia
usá-los mantendo sempre o seu coração inteiramente livre. Mas ele sabia que
era impossível a um ser humano possuir bens sem se subordinar a eles e se
tornar seu escravo. Por isso ele abandonou tudo e assim nos mostrou pelo
seu exemplo, mais do que pelas suas palavras, que só possui tudo aquele que
nada possui. O seu nascimento num estábulo e a sua fuga para o Egipto
mostravam já o Filho do homem não devia ter o direito de ter onde repousar
a cabeça. Quem o quiser seguir deve saber que não temos aqui em baixo
morada permanente. Quanto mais vivamente tomarmos consciência disso, mais
ardentemente tenderemos para a nossa morada futura e exultaremos com o
pensamento de que temos direito de cidadania no céu.
Santa Teresa
Benedita da Cruz [Edith Stein] (1891-1942), carmelita, mártir, co-padroeira
da Europa
Para 6 de Janeiro de 1941
“Caminhava com eles”
O próprio Salvador, que a Palavra da Escritura coloca diante dos nossos
olhos na sua humanidade, mostrando-no-Lo em todos os caminhos que percorreu
nesta terra, habita entre nós escondido sob as aparências do pão
eucarístico, vem todos os dias até nós como Pão da Vida. Nestes dois
aspectos, torna-Se próximo de nós e sob estes dois aspectos deseja que O
procuremos e O encontremos. Um chama o outro. Quando vemos o Salvador
diante de nós com os olhos da fé, tal como a Escritura no-Lo retrata,
aumenta o nosso desejo de O acolher em nós no Pão da Vida. Por sua vez, o
pão eucarístico aviva o nosso desejo de conhecer o Senhor sempre com maior
profundidade, a partir da Palavra da Escritura, e dá forças ao nosso
espírito, com vista a uma melhor compreensão.
Santa Teresa
Benedita da Cruz [Edith Stein] (1891-1942), carmelita, mártir, co-patrona da
Europa
Meditação para o dia 6
de Janeiro de 1941
«Eis-me aqui, venho para fazer a tua vontade» (He 10,7)
Ajoelhamo-nos mais uma vez diante do presépio… Pertinho do Salvador
recém-nascido, vemos Santo Estêvão. Que é que valeu este lugar de honra
àquele que, primeiro que todos, prestou ao Crucificado o testemunho do seu
sangue? Ele cumpriu, no seu ardor juvenil, aquilo que o Senhor declarou ao
entrar neste mundo: “Deste-me um corpo. Eis-me aqui, venho para fazer a
tua vontade” (He 10,5-7). Praticou a obediência perfeita que mergulha as
suas raízes no amor e se exterioriza no amor. Caminhou sobre as pegadas do
Senhor naquilo que, por natureza, é talvez para o coração humano o que há
de mais difícil, que parece mesmo impossível: tal como o próprio Salvador,
ele cumpriu o mandamento do amor dos inimigos. O Menino no presépio, que
veio para cumprir a vontade de seu Pai até à morte na cruz (Fil 2,8), vê
em espírito diante de si todos os que o seguirão nessa via. Ama este jovem
que há-de um dia esperar para colocar primeiro que todos junto do trono do
Pai, com uma palma na mão. A sua mãozinha mostra-no-lo como modelo, como
se dissesse: “Vede o ouro que espero de vós.”
Fonte:
www.evangelhoquotidiano.org
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