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Protréptico, cap. 10
Estrómata 7,7
O Pedagogo, 9, 83
O Pedagogo, II, 9
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Clemente de Alexandria (150-c.215),
teólogo
Protréptico, cap. 10
“Converteram-se em resposta à pregação de Jonas e aqui está quem é maior do
que Jonas"
Arrependamo-nos; convertamo-nos, da ignorância ao verdadeiro conhecimento,
da loucura à sabedoria, da injustiça à justiça, da impiedade a Deus.
Numerosos são os bens que daí decorrem, como diz o próprio Deus em Isaías:
“Esta é a herança dos servos do Senhor” (54, 17). Não o ouro e a prata, nem
aquilo que a traça destrói e que os ladrões roubam (Mt 6, 19), mas o
tesouro inestimável da salvação. […] É esta herança que coloca em nossas
mãos o testamento eterno pelo qual Deus nos garante os seus dons. Este Pai
que nos ama com ternura não cessa de nos exortar, de nos educar, de nos
amar e de nos salvar. “Sede justos”, diz o Senhor. “Todos vós que tendes
sede vinde à nascente das águas; mesmo os que não tendes dinheiro; vinde,
comprai pão e comei sem pagar, vinho e leite sem pagar.” (Is 55, 1). Ele
convida-nos ao banho que purifica, à salvação, à iluminação. […] Os santos
do Senhor herdarão a glória de Deus e do seu poder, uma glória que “nem o
olho viu, nem o ouvido ouviu, nem jamais passou pelo pensamento do homem”
(1 Cor 2, 9) […].Tendes esta promessa divina da graça e, por outro lado,
ouvistes as ameaças do castigo: são as duas vias pelas quais o Senhor
salva. […] Por que tardamos? Por que não acolhemos o seu dom, escolhendo o
melhor? “Ofereço-te hoje, de um lado, a vida e o bem; de outro, a morte e o
mal” (Dt 30, 15). O Senhor procura levar-te a escolher a vida; Ele
aconselha-te como um pai […].De quem dirá o Senhor: “Deles é o Reino dos
céus” (Mt 5, 3)? Ele é daqueles que o desejam quando escolhem em favor de
Deus. É daqueles que apenas pretendem crer e seguir o essencial da
mensagem, como os ninivitas ouviram a mensagem do Profeta e, graças ao seu
arrependimento sincero, obtiveram a salvação, em vez da ruína que os
ameaçava.
Clemente de Alexandria (150 - c.
215), teólogo
Estrómata 7,7
"Pedi e recebereis: ficareis assim repletos de alegria"
Venerar e honrar aquele que nós acreditamos ser o Verbo, nosso Salvador e
nosso chefe, e, por Ele, o Pai, tal é o nosso dever, não em certos dias
especiais (tal como outros fazem) mas continuamente, durante toda a nossa
vida e de todas as formas. "Sete vezes por dia cantei o teu louvor" (Sl
118,164), exclama o povo eleito... Por isso, não é num lugar determinado,
nem num templo escolhido, nem em certas festas ou em certos dias fixos, mas
é durante toda a vida, em todo o lugar, que o homem verdadeiramente
espiritual honra a Deus, isto é, proclama a sua acção de graças por
conhecer a verdadeira vida.
A presença do homem de bem, pelo respeito que inspira, torna sempre melhor
quem com ele convive. Quanto mais aquele que está continuamente em presença
de Deus, pelo conhecimento, pela maneira de viver e pela acção de graças,
não se irá tornando cada dia melhor em tudo: acções, palavras e
disposições!... Vivendo, pois, toda a nossa vida como uma festa, na certeza
de que Deus está totalmente presente em toda a parte, trabalhamos cantando,
navegamos ao som de hinos, comportamo-nos à maneira dos "cidadãos do céu"
(Fl 3,20).
A oração é, se o ouso dizer, uma conversa íntima com Deus. Mesmo se
murmuramos suavemente, mesmo se, sem mexer os lábios, falamos em silêncio,
nós gritamos interiormente. E Deus volta constantemente o seu ouvido para
esta voz interior... Sim, o homem verdadeiramente espiritual ora durante
toda a sua vida, porque orar é para ele um esforço de união com Deus, e
rejeita tudo o que é inútil porque atingiu aquele estado em que já recebeu,
de certa maneira, a perfeição que consiste em agir por amor... Toda a sua
vida é uma liturgia sagrada.
Clemente de Alexandria (150-c.215),
teólogo
O Pedagogo, 9, 83 ss.
“Eu vim para que os homens tenham vida e a tenham em abundância”
Doentes, precisamos do Salvador; perdidos, daquele que nos conduzirá;
sedentos, da fonte de água viva; mortos, precisamos da vida; ovelhas, do
pastor; crianças, do educador; e toda a humanidade precisa de Jesus.
[…]
Se quereis, podemos compreender a sabedoria suprema do santíssimo pastor e
educador, que é o Todo-Poderoso e o Verbo do Pai, quando Ele se serve de
uma alegoria, dizendo-se pastor das ovelhas; mas Ele é também o educador
dos pequeninos. Com efeito, dirige-se longamente aos anciãos, por
intermédio de Ezequiel, dando-lhes o exemplo da sua solicitude:
“Pensarei na que está ferida e tratarei da que está doente;
procurarei a que se tinha perdido. A todas apascentarei com justiça”
(Ez 34, 16). Sim, Senhor, conduz-nos aos prados férteis da tua justiça.
Sim, Tu, que és o nosso educador, sê o nosso pastor, até à tua montanha
santa, até à Igreja que se eleva acima das nuvens, que toca nos céus.
“Sou Eu que apascentarei as minhas ovelhas, sou Eu quem as fará
descansar” (Ez 34, 15). Ele quer salvar a minha carne, revestindo-a
com a túnica da incorruptibilidade. […] “Clamarás e Ele dirá:
‘Eis-Me aqui!’” (Is 58, 9). […]
Assim é o nosso educador, bom com justiça. “O Filho do Homem não veio
para ser servido, mas para servir” (Mt 20, 28). É por isso que, no
Evangelho, nos aparece fatigado (Jo 4, 5), Ele, que se fatiga por nós, e
que promete “dar a sua vida pelo resgate de muitos” (Mt 20,
28). E afirma que só o bom pastor age desta maneira. Que doador magnífico,
que dá por nós o que de maior tem: a sua vida! Que benfeitor, amigo dos
homens, que preferiu ser irmão a Senhor deles! Que levou a bondade a ponto
de morrer por nós.
Clemente de
Alexandria (150-c.215), teólogo
O Pedagogo, II, 9
“Estai, pois, preparados”
No sono, temos de estar preparados para acordar facilmente. Com efeito, diz
a Escritura: “Estejam cingidos os vossos rins e acesas as vossas lâmpadas.
Sede semelhantes aos homens que esperam o seu senhor, ao voltar do seu
noivado, a fim de lhe abrirem a porta assim que ele chegar e bater” (Lc 12,
35-36). Porque um homem adormecido serve para o mesmo que um morto. É por
isso que devemos levantar-nos frequentemente durante a noite para bendizer
a Deus.
Felizes aqueles que velam por Ele, pois se tornam semelhantes aos anjos a
que chamamos “veladores”. Um homem adormecido vale o mesmo que um homem sem
vida. Mas o que tem a luz está acordado, e as trevas não têm poder sobre
ele, nem as trevas nem o sono. Está, pois, acordado para Deus, aquele que
foi iluminado, e esse vive, porque “nele estava a vida” (Jo 1, 4). “Feliz o
homem que me ouve e que vela todos os dias à entrada da minha porta”, diz a
Sabedoria, “e que é assíduo no umbral da minha casa” (Prov 8, 34).
“Não durmamos, pois, como os outros, mas vigiemos e sejamos sóbrios”, como
diz a Escritura. “Porque os que dormem, dormem de noite, e os que se
embriagam, embriagam-se de noite”, ou seja, na obscuridade da ignorância.
“Mas nós, que somos filhos do dia, sejamos sóbrios” (1 Tes 5, 6-8). “Porque
todos vós sois filhos da luz e filhos do dia. Nós não somos filhos da noite
nem das trevas” (1 Tes 5, 5).
Fonte:
www.evangelhoquotidiano.org
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