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Carta
a Diogneto
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Carta
a Diogneto (cerca de 200)
Cap.8
A paciência de Deus
O Mestre e Criador do universo, Deus, que fez todas as coisas e as
dispôs ordenadamente, mostrou-se não só cheio de amor para com os homens,
como cheio de paciência. Ele foi, é e será o mesmo: auxiliador, bom, suave,
verídico - só Ele é bom. Contudo, quando concebeu o seu desígnio de tão
inefável grandeza apenas o comunicou a seu Filho único. Enquanto mantinha
no mistério e escondia o plano da sua sabedoria, parecia esquecer-nos e não
se preocupar connosco. Mas quando revelou e manifestou, através do seu
Filho bem-amado, o que tinha preparado desde o princípio, ofereceu-nos tudo
ao mesmo tempo: participar dos seus benefícios e compreender a amplitude
dos seus dons. Qual de nós poderia alguma vez esperar isso?
Deus tinha, pois, disposto já tudo com o seu Filho; mas, até estes
últimos tempos, permitiu que nos deixássemos levar ao sabor das nossas
inclinações desordenadas, arrastados pelos prazeres e pelas paixões. Não
que ele tenha o mínimo gosto nos nossos pecados; tolerava apenas esse tempo
em que o mal campeava sem nisso consentir. Preparava o actual reinado de
justiça. Durante aquele período, as nossas próprias obras mostravam-nos
indignos da vida; tornamo-nos agora dignos como resultado da bondade de
Deus. Mostramo-nos incapazes de aceder por nós próprios ao Reino de Deus; é
o seu poder que nos torna agora capazes... Deus não nos odiou nem repudiou,
não nos guardou rancor mas teve paciência durante muito, muito tempo.
Carta a
Diogneto (cerca de 200)
§5-6
"Não te peço que os tires do mundo mas que os guardes do Maligno"
Os cristãos não são diferentes dos outros homens nem pelo território, nem
pela língua, nem pelo modo de viver.
Eles não moram numa cidade exclusivamente sua, não usam uma língua própria,
nem levam um género de vida especial.
A sua doutrina não é conquista do pensamento e do esforço dos homens
estudiosos, nem professam, como fazem alguns, um sistema filosófico humano.
Moram em cidades gregas ou bárbaras, como coube em sorte a cada um, e,
adaptando-se aos costumes de vestir, de comer e em todo o resto de vida,
dão exemplo de uma forma de vida social maravilhosa que, segundo todos
confessam, é inacreditável.
Habitam na respectiva pátria, mas como estrangeiros; participam em todas as
honras como cidadãos e suportam tudo como estrangeiros. (...)
Todas as terras estrangeiras são uma pátria para eles e todas as pátrias
são terras estrangeiras...
Vivem da carne, mas não são segundo a carne. Moram na terra, mas são
cidadãos do céu. Obedecem às leis estabelecidas, mas através do seu teor de
vida superam as leis.
Amam a todos e por todos são perseguidos. Não os conhecem e condenam-nos;
dão-lhes a morte e eles recebem a vida.
São mendigos e enriquecem a muitos; encontram-se privados de tudo e tudo
têm em abundância.
São desprezados e no desprezo encontram glória; difamam-nos e é reconhecida
a sua inocência.
São injuriados e abençoam; são tratados de modo insolente e eles tratam com
reverência.
Fazem o bem e são punidos como malfeitores; e, embora punidos, alegram-se
quase como se lhes dessem a vida.
Mas os que odeiam não sabem dizer o motivo do seu ódio.
Numa palavra, os cristãos são no mundo o que a alma é no corpo.
Fonte:
www.evangelhoquotidiano.org
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