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"et quasi flos rosarum in diebus vernis" (Sir. 50,8) 

 

 

 

MAGISTÉRIO DOS SANTOS - Beato Guerric d'Igny

 

Leccionário

 

2º Sermão para o Advento

 

2º Sermão para a Epifania

 

4º sermão para a Epifania
 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

Beato Guerric d'Igny (cerca de 1080-1157), abade cisterciense

Leccionário



Jesus à mesa com os fariseus

O eterno e invisível Criador do mundo, tendo decidido salvar o género humano que se arrastava de geração em geração submetido às duras leis da morte, "nestes tempos que são os últimos" (He 1,2) dignou-se fazer-se homem..., para resgatar na sua clemência aqueles que, na sua justiça, havia condenado. A fim de mostrar a profundidade do seu amor por nós, não só se fez homem, mas homem pobre e humilde, para que, tornando-se próximo de nós na sua pobreza, nos permitisse tomar parte nas suas riquezas (2Co 8,9). Fez-se por nós tão pobre que nem tinha lugar onde repousar a cabeça: "As raposas têm a sua toca e as aves do céu o seu ninho mas o filho do Homem não tem onde repousar a cabeça" (Mt 8,20).


É por isso que ele aceitava ir tomar as refeições com quem o convidava, não pelo gosto imoderado pela comida mas para ali ensinar a salvação e suscitar a fé. Ali enchia de luz os convivas com os seus milagres. Ali, os servos, que estavam ocupados no interior da casa e não tinham a liberdade de ir para junto dele, ouviam a palavra da salvação. Na verdade, não desprezava ninguém, nenhum era indigno do seu amor porque "ele tem piedade de nós; não odeia nenhuma das suas obras e ocupa-se cuidadosamente de cada uma delas" (Sb 11,24).


Para realizar a sua obra de salvação, o Senhor entrou assim na casa de um notável fariseu, num dia de sábado.. Os escribas e os fariseus observavam-no para o poderem repreender: para, se ele curasse o hidrópico, o poderem acusar de violar a Lei e, se o não curasse, o acusarem de impiedade ou de fraqueza... À luz puríssima da palavra da verdade, viram dissipar-se todas as trevas da sua mentira.

 

 

Beato Guerric d'Igny (c. 1080-1157), abade cisterciense


2º Sermão para a Epifania

A luz do mundo revelada às nações

“Levanta-te e resplandece, Jerusalém, chegou a tua luz!” (Is, 60, 1) Chegou
realmente a tua luz; ela estava no mundo e o mundo foi feito por ela, mas o
mundo não a conheceu. O Menino nascera, mas não foi conhecido enquanto o
dia da luz não começou a revelá-lo. […] Erguei-vos, vós que estais sentados
nas trevas! Dirigi-vos para esta luz; ela ergueu-se nas trevas, mas trevas
não conseguiram abarcá-la. Aproximai-vos e sereis iluminados; na luz vereis
a luz, e dir-se-á sobre vós: “Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no
Senhor” (Ef 5, 8). Vede que a luz eterna se acomodou aos vossos olhos, para
que Aquele que habita uma luz inacessível possa ser visto pelos vossos
olhos fracos e doentes. Descobri a luz numa lâmpada de argila, o sol na
nuvem, Deus num homem, no pequeno vaso de argila do vosso corpo o esplendor
da glória e o brilho da luz eterna! […]Nós de damos graças, Pai da luz, por
nos teres chamado das trevas à tua luz admirável. […] Sim, a verdadeira
luz, mais do que isso, a vida eterna, consiste em Te conhecer, a Ti, único
Deus, e ao Teu enviado Jesus Cristo. […] É certo que Te conhecemos pela fé,
e temos como seguro que um dia Te conheceremos na visão. Até lá,
aumenta-nos a fé. Conduz-nos de fé em fé, de claridade em claridade, sob a
moção do teu Espírito, para que penetremos cada dia mais nas profundezas da
luz! […] Que a fé nos conduza à visão face a face e que, à semelhança da
estrela, ela nos guie até ao nosso chefe nascido em Belém. […]Que alegria,
que exultação para a fé dos magos, quando virem reinar, na Jerusalém das
alturas, Aquele que adoraram quando vagia em Belém! Viram-no aqui numa
habitação de pobres; lá, vê-Lo-emos no palácio dos anjos. Aqui, nos
paninhos; lá, no esplendor dos santos. Aqui, no seio de sua Mãe; lá, no
trono de seu Pai.
 

 

Beato Guerric d'Igny (cerca de 1080 - 1157), abade cisterciense

4º sermão para a Epifania


"Reconhecer Cristo na sua humildade e descer como ele"


"Em mim se perturba minha alma", ó Deus, quando penso nos meus pecados; "então, lembro-me de ti, no país do Jordão" (Sl 41,7) - quer dizer, recordando-me da forma como purificaste Naaman, o leproso, na sua humilde descida até ao rio... "Ele desceu e lavou-se sete vezes no Jordão, como lhe tinha prescrito o homem de Deus e ficou purificado (2Re 5,14). Desce também tu, ó minha alma, desce do carro do orgulho até às águas salutares do Jordão que, desde a fonte da casa de David, corre agora pelo mundo inteiro "para lavar todo o pecado e toda a mancha" (Za 13,1). Certamente que essa nascente é a humildade da penitência, que corre ao mesmo tempo graças a um dom de Cristo e graças ao seu exemplo e que, pregada doravante por toda a terra, lava os pecados do mundo inteiro... O nosso Jordão é um rio puro; será, pois, impossível aos soberbos acusarem-te, se mergulhares totalmente nele, se te sepultares, por assim dizer, na humildade de Cristo...

Claro que o nosso baptismo é único, mas uma tal humildade é como um novo baptismo. Com efeito, ela não reitera a morte de Cristo mas leva à plenitude a mortificação e a sepultura do pecado: o que foi celebrado sacramentalmente no baptismo encontra a sua plena realização sob esta nova forma. Sim, uma tal humildade abre os céus e dá o espírito de adopção; o Pai reconhece o seu filho, recriado na inocência e na pureza de uma criança de novo gerada. É por isso que a Escritura menciona, e com razão, que a carne de Naaman foi reconstruída à semelhança de um recém-nascido... Nós que perdemos a graça do nosso primeiro baptismo..., eis que descobrimos o verdadeiro Jordão, isto é, a descida da humildade... Basta-nos não recear descer cada dia mais profundamente... com Cristo.

 

 

Bem-aventurado Guerric d’Igny (c. 1080-1157), abade cisterciense

Segundo Sermão para o Advento


«Muitos profetas e reis quiseram ver o que vedes»

Vem, ó Senhor, «salva-me e eu serei salvo»! (Jr 17,14) Vem, «mostra-nos a tua face, e seremos salvos» (Sl 79,4). Foi por ti que esperamos; «sê a nossa salvação no tempo da tribulação» (Is 33,2). Assim, os profetas e os justos iam ao encontro de Cristo com um tal desejo, um tal entusiasmo de amor, que quereriam, se isso tivesse sido possível, ver com os olhos aquilo que já viam em espírito. Por isso, o Senhor dizia aos seus discípulos: « Bem-aventurados os olhos que vêem o que vós vedes! Pois digo-vos que muitos profetas e justos quiseram ver o que vedes e não o viram». Abraão, nosso pai, também «exultou perante a ideia de ver o dia» de Cristo; «ele viu-o, mas na mansão dos mortos, «e rejubilou por isso» (Jo 8,56).

Há aí muito motivo para nos fazer corar da frieza e da dureza do nosso amor, se não esperamos na alegria espiritual o dia de aniversário do nascimento de Cristo, que nos prometem que veremos em breve, se o Senhor quiser. De facto, a Escritura parece exigir que a nossa alegria seja de tal forma grande que o nosso espírito, elevando-se acima de si mesmo, arda de desejo de se lançar ao encontro de Cristo que vem; e que, adiantando-se pelo desejo, sem suportar qualquer atraso, se esforce por ver já o que está para vir.



Fonte: www.evangelhoquotidiano.org