HOME      QUEM SOMOS

 

                           rosabiblica                           

"et quasi flos rosarum in diebus vernis" (Sir. 50,8) 

 

  

EPÍSTOLA AOS ROMANOS (Rm)

 

 

1   2   3   4   5   6   7   8   9   10   11   12   13   14   15   16  


1

1 Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado ao apostolado, escolhido para anunciar o Evangelho de Deus,

2 que Este tinha prometido antes pelos Seus profetas nas Santas Escrituras,

3 acerca de Seu Filho, que nasceu da descendência de David, segundo a carne,

4 estabelecido Filho de Deus em todo o Seu poder, segundo o Seu Espírito de santidade, pela Sua ressurreição dentre os mortos, Jesus Cristo Senhor Nosso,

5 pelo Qual recebemos a graça e o apostolado, a fim de implantar em Seu nome a fé no meio de todos os gentios,

6 entre os quais também estais vós, os chamados de Jesus Cristo,

7 a todos os que estão em Roma, amados de Deus, chamados a ser santos: Graça e paz vos sejam dadas, da parte de Deus, nosso Pai, e da do Senhor Jesus Cristo.

8 Primeiramente dou graças ao meu Deus, por Jesus Cristo, por todos vós, porque a vossa fé é considerada em todo o mundo.

9 O Deus, a Quem sirvo em meu espírito anunciando o Evangelho de Seu Filho, é testemunha de como incessantemente faço menção de vós,

10 rogando-Lhe sempre nas minhas orações que se apresente enfim, alguma vez, pela vontade de Deus, uma oportunidade favorável para eu ir ter convosco.

11 Porque desejo ver-vos, a fim de vos comunicar alguma graça espiritual, para vos confirmar,

12 ou antes, para me reconfortar juntamente convosco por esta fé que nos é comum a mim e a vós.

13 Não quero que vós, irmãos, ignoreis que muitas vezes me propus ir ter convosco, mas tenho sido impedido até agora, para colher também algum fruto entre vós, como entre os outros gentios.

14 Eu sou devedor aos gregos e aos bárbaros, aos sábios e aos ignorantes;

15 daí o meu desejo de anunciar o Evangelho também a vós que estais em Roma.

16 Com efeito, eu não me envergonho do Evangelho porque é a força de Deus para dar a salvação a todo o crente, primeiro ao judeu, e depois ao grego.

17 Porque nele se manifesta a justiça de Deus que tem origem na fé e conduz à fé, como está escrito: “O justo vive da fé”.

18 Com efeito, a ira de Deus manifesta-se no céu contra a impiedade e injustiça daqueles homens que retêm a verdade de Deus cativa da injustiça,

19 porque o que se pode conhecer de Deus é-lhes manifesto, pois Deus lho manifestou.

20 De facto, as coisas invisíveis d'Ele, isto é, o Seu poder eterno e a Sua divindade, depois da criação do mundo, compreendendo-se pelas coisas feitas, tornaram-se visíveis, de modo que são inexcusáveis,

21 porque, tendo conhecido a Deus, não O glorificaram como Deus, nem Lhe deram graças, mas se perderam em vãos raciocínios e obscureceu-se o seu coração insensato,

22 pois, dizendo ser sábios, tornaram-se loucos

23 e trocaram a glória de Deus incorruptível pela figura de um simulacro de homem corruptível, de aves, de quadrúpedes e de répteis.

24 Pelo que Deus os abandonou, segundo os desejos do seu coração, à imundície, de modo que desonraram os seus próprios corpos,

25 eles que trocaram a verdade de Deus pela mentira, e que adoraram e serviram a criatura de preferência ao Criador, que é Bendito por todos os séculos. Amen.

26 Por isso Deus entregou-os a paixões degradantes. Efectivamente, as suas próprias mulheres mudaram o uso natural em uso contra a natureza,

28 e, do mesmo modo, também os homens, deixando o uso natural da mulher, arderam nos seus desejos mutuamente, praticando torpezas homens com homens e recebendo em si mesmos a paga que era devida ao seu desregramento.

29 E, como não procuraram conhecer a Deus, Deus abandonou-os a um sentimento depravado, que os levou a fazer o que não convém,

30 cheios de toda a iniquidade, de malícia, de avareza, de maldade, cheios de inveja, de homicídios, de contendas, de engano, de malignidade, mexeriqueiros,

31 maldicentes, inimigos de Deus, insolentes, soberbos, arrogantes, inventores de maldades, desobedientes aos pais,

32 insensatos, desleais, sem coração, sem misericórdia. Os quais, conhecedores da justiça de Deus, sabendo que os que praticam tais coisas são dignos de morte, não somente as praticam, mas também aprovam aqueles que as praticam.

 


2

1 Por isso, és inexcusável, quem quer que sejas, ó homem que te arvoras em juiz, porque, naquilo mesmo em que julgas a outro, a ti mesmo te condenas, visto que praticas as mesmas coisas que julgas.

2 Ora nós sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade contra aqueles que praticam tais coisas.

3 E tu, ó homem, que julgas aqueles que praticam tais coisas e que também as praticas, julgas porventura que escaparás ao juízo de Deus?

4 Ou desprezas as riquezas da Sua bondade, paciência e longanimidade? Ignoras que a bondade de Deus te convida ao arrependimento?

5 Mas com a tua dureza e coração impenitente acumulas para ti um tesouro de ira para o dia da ira e da manifestação do justo juízo de Deus,

6 que há-de dar a cada um segundo as suas obras:

7 dará a vida eterna aos que, perseverando na prática do bem, buscam a glória, a honra e a imortalidade;

8 dará ira e indignação aos que são pertinazes, indóceis à verdade, mas dóceis à injustiça.

9 Tribulação e angústia para a alma de todo o homem que faz o mal, do judeu primeiramente, e, depois, do grego,

10 mas glória, honra e paz a todo aquele que faz o bem, ao judeu primeiramente, e depois ao grego,

11 porque em Deus não há acepção de pessoas.

12 Porque todos os que sem Lei pecaram, sem Lei perecerão, e todos os que com a Lei pecaram, pela Lei serão julgados.

13 De facto, não são justos diante de Deus os que ouvem a Lei, mas os que observam a Lei é que serão justificados.

14 Com efeito, quando os gentios, que não têm Lei, fazem naturalmente as coisas que são da Lei, esses, não tendo a Lei, a si mesmos servem de Lei

15 e mostram que o que a Lei ordena está escrito nos seus corações, dando-lhes testemunho disso a sua própria consciência e os seus pensamentos, que os acusam ou defendem.

16 Isto ver-se-á naquele dia em que Deus, segundo o meu Evangelho, há-de julgar por meio de Jesus Cristo as acções ocultas dos homens.

17 Tu, que tens o nome de judeu e repousas sobre a Lei e te glorias em Deus,

18 que conheces a Sua vontade, e, instruído pela Lei distingues o que é mais proveitoso,

19 e te vanglorias de ser guia dos cegos, luz daqueles que estão nas trevas,

20 doutor dos ignorantes, mestre das crianças, tendo na Lei a regra da ciência e da verdade...

21 tu, pois, que ensinas os outros, não te ensinas a ti mesmo! Tu, que pregas que se não deve furtar, furtas!

22 Tu, que dizes que se não deve cometer adultério, és adúltero! Tu, que abominas os ídolos, despojas seus templos!

23 Tu, que te glorias na Lei, desonras a Deus, transgredindo a Lei!

24 Em realidade, “o nome de Deus por causa de vós é blasfemado entre as gentes”, como está escrito.

25 A circuncisão aproveita, é verdade, se guardares a Lei; mas, se fores transgressor da Lei, com a tua circuncisão tornas-te um incircunciso.

26 Se, pois, um incircunciso guardar os preceitos da Lei, não será, apesar da sua incircuncisão, considerado como circunciso?

27 E aquele que é fisicamente incircunciso, cumprindo a Lei te julgará a ti que, és com a letra e com a circuncisão, transgressor da Lei.

28 Porque não é judeu aquele que o é externamente, nem é circuncisão a que aparece na carne,

29 mas é judeu aquele que é no interior, e a circuncisão é a do coração, segundo o espírito e não segundo a letra; este judeu terá o seu louvor não dos homens, mas de Deus.

 


3

1 Que tem, pois, a mais o judeu? Ou qual é a utilidade da circuncisão?

2 Muita, de toda a maneira. Principalmente porque lhes foram confiados os oráculos de Deus.

3 Que importa se alguns deles não creram? Porventura a sua incredulidade destruirá a fidelidade de Deus? Não, certamente.

4 Deus é verdadeiro, e todo o homem é mentiroso, como está escrito: “Para que sejas justificado nas Tuas palavras e venças quando fores julgado”.

5 Se, porém, a nossa injustiça faz brilhar a justiça de Deus, que diremos? Porventura é injusto Deus quando castiga?

6 Falo à maneira dos homens. Não, por certo; doutra maneira, como julgaria Deus este mundo?

7 Com efeito, se a verdade de Deus, pela minha mentira sobressai para Sua glória, porque sou eu assim julgado como pecador?

8 E porque é que - como dizem caluniosamente de nós e como alguns afirmam que nós dizemos - não havemos de praticar o mal para que venham bens? Desses, que assim o dizem, é justa a condenação.

9 Que diremos pois? Temos alguma vantagem sobre eles? De modo algum! Porque já demonstramos que judeus e gregos estão todos sujeitos ao pecado,

10 como está escrito: “Não há nenhum justo;

11 não há quem tenha inteligência, não há quem busque a Deus.

12 Todos se extraviaram, todos à uma se tornaram inúteis, não há quem faça o bem, não há sequer um”.

13 “A garganta deles é um sepulcro aberto; com as suas línguas tecem enganos. Um veneno de serpentes se encobre debaixo dos seus lábios,

14 a sua boca está cheia de maldição e de amargura;

15 os seus pés são velozes para derramar sangue;

16 a dor e a infelicidade estão nos seus caminhos,

17 e não conheceram o caminho da paz.

18 Não há temor de Deus diante dos seus olhos”.

19 Ora nós sabemos que tudo aquilo que a Lei diz, o diz para aqueles que estão sob a Lei, para que toda a boca seja fechada e todo o mundo caia sob a justiça de Deus.

20 Pelas obras da Lei não será justificado nenhum homem diante d'Ele. Efectivamente, pela Lei vem o conhecimento do pecado.

21 Mas agora sem a Lei manifestou-se a justiça de Deus, testificada pela Lei e pelos Profetas,

22 a justiça de Deus pela fé em Deus para todos os que crêem n'Ele, sem distinção,

23 porque todos pecaram e estão privados da glória de Deus

24 e são justificados gratuitamente pela Sua graça, por meio da redenção, que está em Cristo Jesus,

25 a Quem Deus pôs, pelo Seu sangue derramado, como um meio de propiciação, que opera pela fé, a fim de manifestar a Sua justiça, por haver tolerado, com a Sua paciência divina, os pecados de outrora,

26 a fim de manifestar a Sua justiça no tempo presente, de maneira a ser reconhecido justo e fonte de justiça para aquele que tem fé em Jesus.

27 Onde está, pois, o motivo para alguém se gloriar? Ficou excluído. Por que lei? Pela das obras? Não; mas pela lei da fé.

28 Porquanto sustentamos que o homem é justificado pela fé, sem as obras da Lei.

29 Porventura Deus só o é dos judeus? Não é também dos gentios? Sim, certamente, Ele é também dos gentios,

30 porque há um só Deus, que justifica pela fé os circuncisos e que também pela fé justifica os incircuncisos.

31 Anulamos, pois, a Lei com a fé? Longe disso; antes confirmamos a Lei.

 


4

1 Que diremos, pois, ter obtido Abraão, nosso pai segundo a carne?

2 Certamente, se Abraão foi justificado pelas obras, tem de que se gloriar, mas não junto de Deus.

3 Pois, que diz a Escritura? “Abraão acreditou em Deus, e isso lhe foi tido em conta para a justiça”.

4 Ora ao que trabalha, não se conta o salário como uma graça, mas como uma dívida.

5 Porém, ao que não trabalha, mas crê n'Aquele que justifica o ímpio, a sua fé é-lhe imputada como justiça.

6 Como também David proclama bem-aventurado o homem a quem Deus atribui justiça independentemente das obras.

7 “Bem-aventurados aqueles, cujas iniquidades foram perdoadas, e cujos pecados foram cobertos.

8 Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputou pecado”.

9 Ora esta bem-aventurança é somente para os circuncisos, ou também para os incircuncisos? Na verdade, dizemos que a fé foi imputada a Abraão como justiça.

10 Como lhe foi ela, pois, imputada? Depois da circuncisão, ou antes da circuncisão? Não foi depois da circuncisão, mas antes dela.

11 E recebeu o sinal da circuncisão como selo da justiça, recebida pela fé antes da circuncisão, a fim de que fosse pai de todos os crentes incircuncisos, para que também a eles lhes seja imputada a justiça,

12 e seja pai dos circuncisos, daqueles que não têm somente a circuncisão, mas, além disso, seguem as pisadas da fé que teve nosso pai Abraão antes de ser circuncidado.

13 E assim a promessa a Abraão e à sua posteridade, de que seria herdeiro do mundo, não foi em virtude da Lei, mas em virtude da justiça da fé.

14 Com efeito, se os da Lei é que são os herdeiros, é inútil a fé, e sem efeito a promessa.

15 Porque a Lei produz a ira. Onde, pois, não há Lei, não há transgressão.

16 Por isso da fé é que vem a herança, a fim de que esta seja gratuita e certa para toda a descendência, não somente, para a que é da Lei, mas também para a que é da fé de Abraão, que é pai de todos nós,

17 segundo está escrito: “Eu te constituí pai de muitas gentes”. Ele é pai, diante de Deus, em quem acreditou, que dá vida aos mortos e chama à existência o que não existe.

18 Esperando contra toda a esperança, teve fé e tornou-se, por isso, pai de muitas gentes, segundo o que lhe foi dito: “Assim será a tua descendência”.

19 E, sem vacilar na fé, não considerou nem o seu corpo já sem vigor, por ser quase centenário, nem o seio de Sara, já sem vida.

20 Não hesitou nem teve falta de fé, perante a promessa de Deus, mas firmou-se na fé, dando glória a Deus,

21 plenamente convencido de que Ele é poderoso para cumprir tudo o que prometeu.

22 Por isso, isto lhe foi imputado como justiça.

23 Ora não está escrito que lhe foi imputado somente por causa dele;

24 mas também para nós, que cremos n'Aquele que ressuscitou dos mortos, Jesus Cristo Nosso Senhor,

25 o Qual foi entregue pelos nossos pecados e ressuscitou para nossa justificação.

 


5

1 Justificados, pois, pela fé, tenhamos paz com Deus, por meio de Nosso Senhor Jesus Cristo,

2 pelo Qual temos acesso, pela fé, a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus.

3 E não só nela; mas também nos gloriamos nas tribulações, sabendo que a tribulação produz a paciência,

4 a paciência a virtude provada, a virtude provada a esperança,

5 e a esperança não traz engano, porque a caridade de Deus está derramada em nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi dado.

6 Pois, quando nós ainda éramos fracos, no tempo determinado, Cristo morreu pelos ímpios.

7 Ora é difícil haver quem morra por um justo, ainda que alguém talvez se resolva a morrer por um homem de bem.

8 Mas Deus manifesta o Seu amor para connosco, porque, quando ainda éramos pecadores, então Cristo morreu por nós.

9 Pois muito mais agora, que estamos justificados pelo Seu sangue, seremos salvos da ira por Ele mesmo.

10 Se, sendo nós inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de Seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos por Sua vida.

11 E não só isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, por quem agora recebemos a reconciliação.

12 Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo e, pelo pecado a morte, assim a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.

13 Porque até à Lei o pecado estava no mundo; porém, o pecado não era imputado, não havendo Lei.

14 Todavia a morte reinou desde Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram por uma transgressão semelhante à de Adão, o qual é a figura d'Aquele que havia de vir.

15 Mas o dom não é como o delito, porque, se pelo delito de um só morreram muitos, muito mais a graça de Deus e o dom que vem pela graça de um só homem, Jesus Cristo, são concedidos abundantemente a todos.

16 E não se dá com o dom o mesmo que se dá com o pecado de um só, porque a sentença de condenação foi dada por causa do pecado de um só, ao passo que o dom da graça traz a justificação de muitos pecados.

17 Com efeito, se pelo pecado de um, a morte reinou por um só, muito mais reinarão na Vida por um só, que é Jesus Cristo, os que recebem a abundância da graça e do dom da justiça.

18 Por isso, assim como pelo pecado de um só, incorreram todos os homens na condenação, assim pela justiça de um só, recebem todos os homens a justificação que dá a Vida.

19 Porque, assim como pela desobediência de um só homem, todos se tornaram pecadores, assim pela obediência de um só, todos virão a ser justos.

20 Sobreveio a Lei para que abundasse o pecado. Mas, onde abundou o pecado, superabundou a graça,

21 para que, assim como o pecado reinou pela morte, assim a graça reine pela justiça para dar a vida eterna, por meio de Jesus Cristo Nosso Senhor.

 


6

1 Que diremos pois? Que devemos permanecer no pecado, para que abunde a graça?

2 De modo algum! Porque, se nós morremos para o pecado, como viveremos ainda nele?

3 Não sabeis que todos os que fomos baptizados em Cristo Jesus, fomos baptizados na Sua morte?

4 Fomos, pois, pelo baptismo sepultados com Ele, na morte, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim nós caminhemos numa vida nova.

5 Porque, se nos tornamos um mesmo ser com Ele por uma morte semelhante à Sua, o mesmo sucederá por uma ressurreição semelhante,

6 sabendo que o nosso homem velho foi crucificado juntamente com Ele, a fim de que seja destruído o corpo do pecado, para já não servirmos mais o pecado.

7 De facto, aquele que morreu está absolvido do pecado.

8 E, se morremos com Cristo, acreditemos que também viveremos juntamente com Ele,

9 sabendo que Cristo, ressuscitado dos mortos, não morre mais, nem a morte terá mais domínio sobre Ele.

10 Enquanto a Ele morrer pelo pecado, morreu uma só vez; mas, quanto a viver, vive para Deus.

11 Assim também vós considerai-vos como estando mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus.

12 Não reine, pois, o pecado no vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas concupiscências.

13 Não entregueis os vossos membros ao pecado, quais armas de iniquidade, mas oferecei-vos a Deus, como ressuscitados, depois de ter estado mortos, e os vossos membros como armas de justiça ao serviço de Deus.

14 O pecado não vos dominará, pois já não estais sob a Lei, mas sob a graça.

15 Pois quê? Iremos pecar, porque não estamos sob a Lei, mas sob a graça? De maneira nenhuma!

16 Não sabeis que, se vos entregais a alguém como escravos para lhe obedecer, ficais escravos daquele a quem obedeceis, quer seja do pecado para a morte, quer da obediência para a justiça?

17 Porém, graças sejam dadas a Deus, porque tendo sido escravos do pecado, obedecestes de coração àquela regra de doutrina sob a qual fostes formados.

18 E, libertados do pecado, tornastes-vos servos da justiça.

19 Falo à maneira dos homens por causa da fraqueza da vossa carne, porque, assim como oferecestes os vossos membros para servirem à imundície e ao desregramento, para vos entregardes à desordem, assim oferecei agora os vossos membros para servirem à justiça, a fim de chegar à santificação.

20 Quando éreis escravos do pecado, estáveis livres quanto à justiça.

21 Que fruto tirastes então daquelas coisas de que agora vos envergonhais? De facto, o seu fim é a morte!

22 Mas agora, que estais livres do pecado e feitos servos de Deus, tendes por fruto a santificação, e tendes como fim a vida eterna.

23 Porque o salário do pecado é a morte, ao passo que o dom de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus Senhor Nosso.

 


7

1 Ignorais, porventura, irmãos - pois que falo com pessoas que conhecem a Lei -, que a Lei só tem domínio sobre o homem enquanto ele vive?

2 Assim a mulher está ligada pela lei ao marido, enquanto ele vive; mas, ao morrer seu marido, fica livre da lei do marido.

3 Por isso, vivendo o marido, será chamada adúltera se se une com outro homem; mas, se morrer seu marido, fica livre desta lei, de maneira que não é a adúltera se se tornar mulher de outro homem.

4 Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a Lei pelo corpo de Cristo, para que sejais de outro, d'Aquele que ressuscitou dos mortos, a fim de que dêmos frutos para Deus.

5 Enquanto estávamos na carne, os afectos pecaminosos, excitados pela Lei, actuavam em nossos membros para produzirem frutos de morte.

6 Mas agora estamos livres da Lei, mortos para aquilo que nos tinha cativos, de modo que servimos segundo um espírito novo, e não segundo a letra antiga.

7 Que diremos então? A Lei é pecado? Longe disso! Mas eu não conheci o pecado, senão pela Lei, porque eu não conheceria a concupiscência se a Lei não dissesse: “Não cobiçarás”.

8 E o pecado, tomando a ocasião daquele mandamento, fez nascer em mim toda a concupiscência. Com efeito, sem a Lei, o pecado estava morto.

9 Eu outrora vivia sem Lei, mas, quando veio o mandamento, reviveu o pecado.

10 E eu morri, e viu-se que o mandamento, destinado à vida, foi para morte,

11 porque o pecado, tomando ocasião do mandamento, seduziu-me e por ele me matou.

12 Assim, pois, a Lei é santa, e o mandamento é santo, justo e bom.

13 Uma coisa boa foi, então, para mim causa de morte? Não, absolutamente! Mas foi o pecado que, para se mostrar pecado, me deu a morte por meio de uma coisa boa, e assim, pelo mandamento, o pecado mostra ao máximo a sua nocividade.

14 Efectivamente sabemos que a Lei é espiritual, mas eu sou carnal, vendido como escravo ao pecado.

15 Em verdade, não compreendo o que faço; não faço o bem que quero, mas pratico o mal que não quero.

16 Ora, se eu faço o que não quero, reconheço que a Lei é boa.

17 Neste caso já não sou eu que faço isto, mas sim o pecado que habita em mim.

18 Eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita o bem; pois querer o bem encontra-se ao meu alcance, mas fazê-lo não.

19 Porque eu não faço o bem que quero, mas faço o mal que não quero.

20 Se eu, porém, faço o que não quero, já não sou eu que o realizo, mas sim o pecado que habita em mim.

21 Eu encontro, pois, esta lei em mim: quando quero fazer o bem, o mal está junto de mim,

22 porque me deleito na Lei de Deus, segundo o homem interior,

23 mas vejo nos meus membros uma outra lei, que se opõe à lei do meu espírito e que me faz escravo da lei do pecado que está nos meus membros.

24 infeliz de mim! Quem me livrará deste corpo de morte?

25 Sejam dadas graças a Deus, por Jesus Cristo Senhor Nosso. Assim, pois, eu mesmo sirvo à Lei de Deus com o espírito; e sirvo à lei do pecado com a carne.

 


8

1 Não há, pois, agora nenhuma condenação para os que estão em Cristo Jesus.

2 Com efeito, a lei do espírito de vida em Cristo Jesus me livrou da lei do pecado e da morte.

3 Porquanto, o que era impossível à Lei, porque se achava sem força por causa da carne, Deus o realizou, enviando Seu Filho em carne semelhante à do pecado, e por causa do pecado condenou o pecado na carne,

4 para que a justiça prescrita pela Lei fosse cumprida em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o espírito.

5 Os que são segundo a carne gostam das coisas que são da carne; mas os que são segundo o espírito gostam das coisas que são do espírito.

6 Ora a aspiração da carne é morte, e a aspiração do espírito é vida e paz.

7 Porque a aspiração da carne é inimiga de Deus, pois não está sujeita à Lei de Deus, nem mesmo pode estar.

8 E os que estão na carne, não podem agradar a Deus.

9 Vós, porém, não estais na carne, mas no espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Se alguém não tem o Espírito de Cristo, não é d'Ele.

10 Se, pois, Cristo está em vós, o corpo verdadeiramente está morto por causa do pecado, mas o espírito é vida, graças à justiça.

11 E, se o Espírito d'Aquele que ressuscitou a Jesus dos mortos, habita em vós, Ele, que ressuscitou a Cristo Jesus dos mortos, também dará vida aos vossos corpos mortais, por meio do Seu Espírito que habita em vós.

12 Portanto, irmãos, não somos devedores à carne para que vivamos segundo a carne.

13 Efectivamente, se viverdes segundo a carne, morrereis, mas se, pelo Espírito, fizerdes morrer as obras da carne, vivereis.

14 Porque todos aqueles que são conduzidos pelo Espírito de Deus, são filhos de Deus.

15 Com efeito, não recebestes o espírito de escravidão para estardes novamente com temor, mas recebestes o espírito de filhos de adopção, mercê do qual clamamos: «”Abba”, Pai».

16 O próprio Espírito dá testemunho ao nosso espírito, de que somos filhos de Deus.

17 Se somos filhos, também somos herdeiros: herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo; pois, sofremos com Ele, para sermos também com Ele glorificados.

18 Sim, eu tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não têm proporção com a glória que se manifestará em nós.

19 Pelo que este mundo espera ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus.

20 De facto, a criação foi sujeita à vaidade, não por seu querer mas pelo daquele que a sujeitou, com a esperança

21 de que também a própria criação será livre de sujeição à corrupção, para participar da liberdade gloriosa dos filhos de Deus.

22 Porque sabemos que todas as criaturas gemem e estão como que com dores de parto até ao presente.

23 E não só ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito; também gememos dentro de nós mesmos, esperando a adopção de filhos, a redenção do nosso corpo.

24 Com efeito, na esperança é que fomos salvos. Ora a esperança que se vê, não é esperança; porque, como esperar aquilo que se vê?

25 E, se esperamos o que não vemos, com paciência o esperamos.

26 O Espírito ajuda também a nossa fraqueza, porque não sabemos o que havemos de pedir nas nossas orações, mas o próprio Espírito ora por nós com gemidos inefáveis.

27 E O que perscruta os corações, sabe o que deseja o Espírito, porque é segundo a vontade de Deus que Ele pede pelos santos.

28 Ora nós sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, para o bem daqueles que, segundo o Seu desígnio, foram chamados.

29 Porque os que Ele conheceu na Sua presciência, também os predestinou para serem conformes à imagem de Seu Filho, para que Ele seja o primogénito entre muitos irmãos.

30 E aqueles que predestinou, também os chamou; e aqueles que chamou também osjustificou; e aqueles que justificou, também os glorificou.

31 Que diremos, pois, à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?

32 Ele que não poupou nem o Seu próprio Filho, mas por nós todos O entregou, como não nos dará também com Ele todas as coisas?

33 Quem acusará os escolhidos de Deus? Deus que os justifica?

34 Quem os condenará? Cristo Jesus que morreu, e mais ainda, que ressuscitou, que está à direita de Deus e que também intercede por nós?

35 Quem nos separará, pois, do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada?

36 Segundo está escrito: “Por ti somos entregues à morte todos os dias, somos considerados como ovelhas destinadas ao matadouro”.

37 Mas, de todas estas coisas saímos mais que vencedores por Aquele que nos amou.

38 Porque eu estou certo que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas presentes, nem as futuras, nem as potestades,

39 nem a altura, nem a profundidade, nem nenhuma outra criatura nos poderá separar do amor que Deus nos manifesta em Cristo Jesus, Senhor Nosso.

 


9

1 Eu digo a verdade em Cristo, não minto, dando-me testemunho disso a minha consciência no Espírito Santo:

2 tenho grande tristeza e contínua dor no meu coração.

3 Em verdade, eu mesmo desejava ser anátema, separado de Cristo, por amor de meus irmãos, que são do mesmo sangue que eu, segundo a carne,

4 que são israelitas, a quem pertence a filiação adoptiva, a glória, as alianças, a legislação, o culto e as promessas;

5 dos quais são os patriarcas, e dos quais é descendente o Cristo, segundo a carne, o Qual está sobre todas as coisas, Deus bendito por todos os séculos. Amen.

6 Não é que a palavra de Deus tenha caducado. Porque nem todos os que descendem de Israel são verdadeiros israelitas;

7 nem todos os descendentes de Abraão são filhos de Abraão; mas: “É em Isaac que terás uma posteridade com o teu nome”.

8 Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa é que são considerados como descendentes.

9 Com efeito os termos da promessa são os seguintes: “Por este tempo virei e Sara terá um filho”.

10 E não somente ela, pois também Rebeca concebeu de um só homem, Isaac, nosso pai.

11 Não tendo eles ainda nascido, nem tendo ainda feito bem ou mal, para que permanecesse firme a liberdade de escolha de Deus,

12 não em vista das obras, mas por causa d'Aquele que chama, foi-lhe dito a ela: “O mais velho servirá ao mais novo”,

13 segundo o que está escrito: “Amei Jacob, e aborreci Esaú”.

14 Que diremos então? Há porventura injustiça em Deus? Longe disso!

15 Porque Ele disse a Moisés: “Eu terei misericórdia com quem entender ter misericórdia e terei piedade de quem entender ter piedade”.

16 Logo, não depende daquele que quer, nem daquele que corre, mas de Deus, que usa de misericórdia.

17 De facto, a Escritura diz ao Faraó: “Para isto te suscitei: para mostrar em ti o Meu poder, e a fim de que seja anunciado o Meu nome por toda a terra”.

18 Logo Ele tem misericórdia de quem quer e endurece a quem quer.

19 Dir-me-ás, porém: «De que se queixa, pois, Deus? Quem pode resistir à Sua vontade»?

20 Ó homem, quem és tu, para replicares a Deus? Porventura o vaso de barro diz a quem o fez: «Porque me fizeste assim»?

21 Porventura não é o oleiro senhor do barro para poder fazer da mesma massa um vaso para uso honroso, e outro para uso vil?

22 E se Deus, querendo mostrar a Sua ira e tornar manifesto o Seu poder, suportou com muita paciência os vasos de ira, preparados para a perdição,

23 a fim de mostrar as riquezas da Sua glória sobre os vasos de misericórdia que preparou para a glória, onde está a injustiça?

24 Esses vasos de misericórdia somos nós, a quem Ele também chamou, não só dos judeus, mas ainda dos gentios.

25 Como diz em Oseias: “Chamarei Meu povo ao povo não Meu, e amada à não amada”.

26 “E acontecerá que, no lugar em que lhes foi dito: 'Vós não sois Meu povo', aí serão chamados filhos de Deus vivo”.

27 Isaías exclama acerca de Israel: “Mesmo que o número dos filhos de Israel fosse como a areia do mar, somente o resto será salvo,

28 porque Deus cumprirá a Sua palavra com justiça plena e prontamente sobre a terra”.

29 E, ainda como predisse Isaías: “Se o Senhor dos Exércitos não nos tivesse deixado um germe, ter-nos-íamos tornado como Sodoma e semelhantes a Gomorra”.

30 Que diremos, então? Que os gentios, que não seguiam a justiça, alcançaram a justiça que vem da fé;

31 mas Israel, que se esforçava por praticar uma Lei feita para a justiça, não chegou à Lei da justiça.

32 Por que motivo? Porque procurou atingi-la não pela fé, mas pelas obras. Tropeçou na pedra de tropeço,

33 conforme está escrito: “Eis que ponho em Sião uma pedra de tropeço, uma pedra de escândalo; mas todo aquele que crê n'Ele não será confundido”.

 


10

1 Irmãos, o desejo do meu coração e a minha oração a Deus por eles, é que sejam salvos.

2 Pois dou tesemunho de que eles têm zelo de Deus, mas mal esclarecido.

3 Porque, não conhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à justiça de Deus.

4 Com efeito, o fim da Lei é Cristo, para a justificação de todo aquele que crê.

5 Efectivamente Moisés escreveu, a respeito da justiça que vem da Lei: “O homem que a cumprir, por ela viverá”.

6 Mas a justiça que vem da fé diz assim: «Não digas no teu coração: “Quem subirá ao céu?”, isto é, para fazer descer Cristo;

7 “Ou quem descerá ao abismo?”, isto é, para ressuscitar Cristo dentre os mortos».

8 Mas que diz a Escritura? “Perto de ti está a palavra, na tua boca e no teu coração”. Esta é a palavra da fé que pregamos.

9 Porque, se confessares com a tua boca o Senhor Jesus e creres no teu coração que Deus O ressuscitou dos mortos, serás salvo.

10 Com o coração se crê para alcançar a justiça, mas com a boca se faz a confissão para conseguir a salvação.

11 Pois a Escritura diz: “Todo o que crê n'Ele não será confundido”.

12 Com efeito, não há distinção entre judeu e grego, pois é o mesmo o Senhor de todos, rico para com todos os que O invocam.

13 Porque “todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”.

14 Mas, como invocarão Aquele em quem não acreditaram? Ou como acreditarão n'Aquele de Quem não ouviram falar? E como ouvirão sem haver quem lhes pregue?

15 E, como pregarão eles se não forem enviados? Segundo está escrito: “Que formosos são os pés dos que anunciam boas novas”!

16 Mas, nem todos obedecem ao Evangelho. Por isso Isaías diz: “Senhor, quem acreditou na nossa pregação”?

17 Logo a fé vem pela pregação, e a pregação pela palavra de Cristo.

18 Mas digo: Porventura não ouviram? Sim, por certo, pois “por toda a terra se propagou a sua voz, e até aos confins do mundo as suas palavras”.

19 Mas, pergunto: Porventura Israel não compreendeu? Moisés é o primeiro que lhe diz: “Excitarei o vosso ciúme contra uma nação que não é nação; excitarei a vossa ira contra uma nação louca”.

20 Isaías avança mais e diz: “Fui encontrado pelos que não Me buscavam; manifestei-Me aos que não perguntavam por Mim”.

21 E a Israel diz: “Todos os dias estendi as Minhas mãos a um povo incrédulo e rebelde”.

 


11

1 Digo, pois: Porventura Deus rejeitou o Seu povo? Longe disso! Porque eu também sou israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim.

2 Deus não rejeitou o Seu povo, que conheceu na Sua presciência. Ou não sabeis o que a Escritura refere de Elias, quando ele faz a Deus esta acusação contra Israel:

3 “Senhor, mataram os Teus profetas, derrubaram os Teus altares: e eu fiquei só e querem a minha vida”?

4 Mas que lhe disse Deus em resposta: “Eu reservei para Mim sete mil homens, que não dobraram os joelhos diante de Baal”.

5 Do mesmo modo, ainda agora existem aqueles que foram reservados segundo a escolha da graça.

6 Ora, se isto foi por graça, não foi pelas obras; doutra sorte, a graça já não é graça.

7 Que diremos então? Que Israel não conseguiu o que buscava tendo-o, contudo, conseguido os escolhidos. Quanto aos outros, foram obcecados,

8 como está escrito: “Deus deu-lhes um espírito de torpor, olhos para que não vejam, e ouvidos para que não ouçam, até ao dia de hoje”.

9 E David diz: “A mesa deles se lhes converta em laço, em prisão, em ocasião de queda, e isto para seu justo castigo.

10 Escurecidos sejam os seus olhos, para que não vejam, e estejam sempre curvadas as suas costas”.

11 Digo, pois: Porventura tropeçaram eles de maneira a caírem para sempre? Não, certamente! Mas, pelo seu delito, veio a salvação aos gentios, para os incitar à emulação.

12 Ora, se a sua queda é a riqueza do mundo, e a sua inferioridade a riqueza dos gentios, quanto maior fruto não dará a sua plenitude?

13 A vós, pois, ó gentios, o digo: Enquanto Apóstolo das gentes, honro o meu ministério,

14 para ver se, dalgum modo, provoco à emulação os do meu sangue e salvo alguns deles.

15 Porque, se a perda deles foi ocasião da reconciliação do mundo, que será a sua reintegração senão uma ressurreição dentre os mortos?

16 Se as primícias são santas, também o é a massa; se é santa a raíz, também o são os ramos.

17 Mas, se alguns dos ramos foram cortados, e tu, sendo uma oliveira brava, foste enxertado neles, e foste participante da seiva da raíz da oliveira,

18 não te vanglories contra os ramos. E se te vanglorias, fica sabendo que não és tu que sustentas a raíz, mas a raíz a ti.

19 Dirás então: «Os ramos foram cortados, para que eu fosse enxertado».

20 Isso é verdade: por causa da sua incredulidade foram cortados, e tu estás firme pela fé; não te ensoberbeças, mas teme:

21 porque, se Deus não perdoou aos ramos naturais, também não te perdoará a ti.

22 Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus: a severidade para com aqueles que caíram, e a bondade de Deus para contigo, se permaneceres na bondade; doutra maneira também serás cortado.

23 E eles também, se não permanecerem na incredulidade, serão enxertados, pois Deus é poderoso para os enxertar de novo.

24 Em verdade, se foste cortado da oliveira brava, e, contra a tua natureza foste enxertado em boa oliveira, quanto mais aqueles que são da mesma natureza, serão enxertados na sua própria oliveira?

25 Não quero, irmãos, que ignoreis este mistério, para que não vos vanglorieis da vossa sabedoria: Que uma parte de Israel caíu na cegueira até que a totalidade dos gentios tenha entrado.

26 E assim todo o Israel se salvará, como está escrito: “Virá de Sião o Libertador e afastará a impiedade de Jacob”.

27 “Terão de Mim esta aliança, quando Eu tirar os seus pecados”.

28 É verdade que, quanto ao Evangelho, eles agora são inimigos por causa de vós; mas, quanto à escolha divina, eles são muito amados por causa de seus pais.

29 Com efeito, os dons e a vocação de Deus são irrevocáveis.

30 Assim como também vós outrora desobedecestes a Deus e agora alcançastes misericórdia pela desobediência deles,

31 assim também eles agora não obedecem, a fim de que, pela misericórdia que vos foi feita, alcancem também eles misericórdia.

32 Efectivamente, Deus a todos encerrou na desobediência, a fim de usar com todos de misericórdia.

33 Ó profundidade das riquezas, da sabedoria e da ciência de Deus! Quão incompreensíveis são os Seus juízos e imperscrutáveis os Seus caminhos!

34 “Pois quem conheceu o pensamento do Senhor? Ou quem foi o Seu conselheiro?

35 Ou quem Lhe deu, primeiro a Ele, para que tenha de receber em retribuição?”

36 Porque d'Ele, por Ele e para Ele são todas as coisas; glória a Ele por todos os séculos. Amen.

 


12

1 Rogo-vos, pois, irmãos, pela misericórdia de Deus, que ofereçais os vossos corpos como uma hóstia viva, santa, agradável a Deus: este é o vosso culto espiritual.

2 Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos com a renovação da vossa mente, para que reconheçais qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que Lhe agrada e o que é perfeito.

3 Digo, pois, pela graça que me foi dada, a todos os que estão entre vós, que ninguém tenha de si uma estima maior da que deve ter, mas sentimentos modestos, segundo a medida da fé, distribuída por Deus a cada um.

4 Assim como num só corpo temos muitos membros, e nem todos os membros desempenham a mesma função,

5 assim, ainda que muitos, somos um só corpo em Cristo, e todos, membros uns dos outros.

6 Temos dons diferentes, segundo a graça que nos foi dada; quem tem o dom da profecia, use-o segundo a regra da fé;

7 quem tem o do ministério, exerça o ministério; quem tem o dom de ensinar, ensine;

8 quem tem o de exortar, exorte; quem distribui os bens, faça-o com simplicidade; quem preside, seja solícito; quem faz obras de misericórdia, faça-as com alegria.

9 O amor seja sem fingimento. Aborrecei o mal, aderi ao bem.

10 Amai-vos reciprocamente com caridade fraternal, adiantando-vos em honrar uns aos outros.

11 Diligentes sem preguiça; fervorosos de espírito, servindo ao Senhor;

12 alegres na esperança; pacientes na tribulação; perseverantes na oração;

13 acudi às necessidades dos santos; empenhai-vos em exercer a hospitalidade.

14 Abençoai os que vos perseguem, abençoai-os, e não os amaldiçoeis.

15 Alegrai-vos com os que estão alegres, chorai com os que choram.

16 Tende muita estima uns pelos outros. Não aspireis a coisas altas, mas acomodai-vos às humildes. Não queirais ser sábios aos vossos olhos.

17 Não pagueis a ninguém mal por mal, procurai fazer o bem diante de todos os homens.

18 Se é possível, tanto quanto depende de vós, vivei em paz com todos os homens;

19 não façais justiça por vossa conta, ó caríssimos, mas deixai que seja Deus a fazer justiça, porque está escrito: “A Mim pertence fazer justiça, Eu retribuirei, diz o Senhor”.

20 “Antes, se o teu inimigo tem fome, dá-lhe de comer, se tem sede, dá-lhe de beber; fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça”.

21 Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem.

 


13

1 Todo o homem esteja sujeito às autoridades superiores, porque não há autoridade que não venha de Deus, e as que existem foram instituídas por Deus.

2 Aquele, pois, que resiste à autoridade, resiste à ordenação de Deus. E os que resistem, atraem sobre si próprios a condenação.

3 Com efeito, os príncipes não são para temer pelas acções boas, mas pelas más. Queres, pois, não temer a autoridade? Faz o bem e terás o seu louvor,

4 porque ela é instrumento de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, porque não é debalde que ela traz a espada. Porquanto ela é instrumento de Deus vingador, para punir aquele que faz o mal.

5 É pois, necessário que lhe estejais sujeitos, não somente pelo temor da ira, mas também por motivo de consciência.

6 De facto, também por esta causa é que pagarás os tributos, pois são ministros de Deus, quando exercem o seu ofício.

7 Pagai, pois, a todos o que lhes é devido: a quem se deve o imposto, o imposto; a quem se devem as taxas, as taxas; a quem se deve a reverência, a reverência; a quem se deve a honra, a honra.

8 A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor mútuo, porque aquele que ama o próximo cumpriu a Lei.

9 Em verdade: “Não cometerás adultério; não matarás; não furtarás; não dirás falso testemunho; não cobiçarás”, e qualquer outro mandamento, todos se resumem nesta palavra: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”.

10 A caridade não faz mal ao próximo; logo, o amor é o pleno cumprimento da Lei.

11 Bem sabeis em que tempo estamos: já é hora de despertar do sono. Porquanto a nossa salvação está agora mais perto do que quando abraçámos a fé.

12 A noite está quase passada e o dia aproxima-se. Deixemos, pois, as obras das trevas, e revistamo-nos das armas da luz.

13 Caminhemos como de dia, honestamente; não em orgias e na embriaguez, não em desonestidades e libertinagens, não em contendas e ciúmes,

14 mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não procureis satisfazer os desejos da carne.

 


14

1 Ao que é fraco na fé, acolhei-o sem discutir as suas opiniões.

2 Este acha que pode comer de tudo; aquele, porém, que é fraco, come somente legumes.

3 O que come de tudo, não despreze o que não come de tudo; e o que não come de tudo, não julgue o que come de tudo, porque Deus o acolheu bem.

4 Quem és tu para julgar o servo alheio? Se ele está de pé ou cai, isso é com o seu senhor; mas ele estará de pé, porque Deus é poderoso para o sustentar.

5 Este distingue entre dia e dia; aquele, porém, considera iguais todos os dias: cada um siga o seu parecer.

6 Quem distingue o dia, para o Senhor o distingue; quem come de tudo, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e quem não come de tudo, não come para o Senhor e também dá graças a Deus.

7 Com efeito, nenhum de nós vive para si mesmo e nenhum de nós morre para si mesmo.

8 De facto, se vivemos, vivemos para o Senhor; se morremos, morremos para o Senhor. Logo, quer vivamos quer morramos, somos do Senhor.

9 Precisamente, por isto, é que Cristo morreu e ressuscitou: para ser Senhor dos mortos e dos vivos.

10 Mas tu, por que julgas o teu irmão? E tu, por que desprezas o teu irmão? Todos compareceremos ante o tribunal de Cristo,

11 pois está escrito: “Por Minha vida, diz o Senhor, diante de Mim dobrar-se-á todo o joelho e toda a língua dará louvor a Deus”.

12 Portanto, cada um de nós dará conta de si a Deus.

13 Deixemos, pois, de julgar-nos uns aos outros; cuidai antes de não pôr tropeço ou escândalo ao vosso irmão.

14 Eu sei, e estou certo no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é impura por si mesma, senão para aquele que a tem por tal; para esse é que ela é impura.

15 Ora se, por causa de um alimento, teu irmão fica contristado, já não andas segundo a caridade. Não percas, por causa do teu alimento, aquele por quem Cristo morreu.

16 Não façais que seja objecto de crítica o que é vosso bem.

17 Porque o reino de Deus não consiste em comida e bebida, mas em justiça, paz e alegria no Espírito Santo.

18 Quem deste modo serve a Cristo, agrada a Deus e é aprovado pelos homens.

19 Procuremos, pois, as coisas que contribuem para a paz e para a edificação mútua.

20 Não queirais destruir a obra de Deus por causa de um alimento. Todas as coisas, na verdade, são puras, mas faz mal o homem que come dando escândalo.

21 É bom não comer carne, nem beber vinho, nem fazer coisa em que teu irmão encontre ocasião de queda.

22 Guarda para ti, diante de Deus, a tua convicção. Feliz aquele que não se condena na decisão que toma.

23 Mas, quem come, apesar das suas dúvidas, é condenado, porque não agiu segundo uma convicção. E tudo o que não é segundo a convicção, é pecado.

 


15

1 Nós que somos mais fortes, devemos suportar as fraquezas dos débeis e não procurar a nossa própria satisfação.

2 Cada um de vós procure agradar ao seu próximo no que é bom para edificação.

3 Porque Cristo nenhuma atenção teve a Si mesmo, antes, como está escrito: “Os insultos dos que te ultrajavam, caíram sobre Mim”.

4 Ora tudo o que foi escrito anteriormente foi escrito para nossa instrução, a fim de que, pela paciência e consolação que tiramos das Escrituras, tenhamos esperança.

5 O Deus da paciência e da consolação vos conceda ter uns para com os outros os mesmos sentimentos segundo Jesus Cristo,

6 para que, com uma só boca, glorifiqueis a Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo.

7 Por isso, acolhei-vos uns aos outros, como também Cristo vos acolheu para glória a Deus.

8 Digo, pois, que Cristo foi o servidor dos circuncisos, a fim de mostrar a veracidade de Deus, cumprindo as promessas feitas aos nossos pais;

9 e que os gentios glorificam a Deus pela Sua misericórdia, como está escrito: “Por isto eu Te confessarei, Senhor, entre os gentios, e entoarei cânticos de louvor ao Teu nome”.

10 E novamente diz: “Alegrai-vos, ó nações, com o Seu povo”.

11 E noutro lugar: “Nações, louvai todas ao Senhor; povos, engrandecei-O todos”;

12 Isaías também diz: “Sairá o rebento de Jessé, Aquele que se levanta para governar as nações. N'Ele esperarão os gentios”.

13 O Deus, pois, da esperança vos encha de todo o gozo e de paz na vossa fé, para que abundeis na esperança, pela virtude do Espírito Santo.

14 Pessoalmente estou convencido, meus irmãos, de que estais cheios de bondade, cheios de toda a ciência, de maneira que vos podeis admoestar uns aos outros.

15 Todavia, irmãos, escrevi-vos com um pouco de ousadia, para reavivar a vossa memória, por causa da graça que me foi dada por Deus,

16 de ser ministro de Cristo Jesus entre os gentios, exercendo o serviço sagrado do Evangelho de Deus, para que a oblação dos gentios seja aceite, santificada pelo Espírito Santo.

17 Tenho, pois, de que me gloriar em Cristo Jesus, pelo que se refere ao serviço de Deus.

18 Porque eu não ousaria falar de coisas que Cristo não tivesse operado por mim, para trazer os gentios à obediência, com a palavra e com as obras,

19 com o poder dos milagres e dos prodígios, com a força do Espírito Santo. Assim, desde Jerusalém e arredores até à Ilíria, enchi tudo do Evangelho de Cristo.

20 Fiz questão de não anunciar o Evangelho onde já tinha sido conhecido o nome de Cristo, para não edificar sobre o fundamento de outro, mas, como está escrito:

21 “Aqueles a quem não foi anunciado, hão-de vê-l'O; e os que não tinham ouvido falar, conhecê-l'O-ão”.

22 Por este motivo muitas vezes fui impedido de ir ter convosco.

23 Mas agora, não tendo já mais campo de acção nestas terras e desejando há muitos anos ir ter convosco,

24 quando siga para Espanha, espero que, de passagem, vos verei e que serei encaminhado por vós até lá, depois de ter desfrutado um pouco a vossa companhia.

25 Agora, porém, irei a Jerusalém em serviço dos santos,

26 porque a Macedónia e a Acaia tiveram por bem fazer uma colecta para os pobres que existem entre os santos de Jerusalém.

27 Tiveram-no por bem e são-lhes devedores. Com efeito, se os gentios se tornaram participantes dos seus bens espirituais, devem também assistir-lhes com os temporais.

28 Quando eu, pois, tiver cumprido isto e lhes tiver feito entrega deste fruto, partirei para Espanha, passando por vós.

29 E sei que, indo ter convosco, irei com a plenitude da bênção de Cristo.

30 Rogo-vos, pois, irmãos, por Nosso Senhor Jesus Cristo e pela caridade do Espírito Santo, que me ajudeis nas minhas lutas com as vossas orações a Deus por mim,

31 para que eu seja livre dos infiéis que há na Judeia, e a oferenda do meu ministério seja grata aos santos em Jerusalém,

32 a fim de que, com alegria, vá ter convosco pela vontade de Deus e me reconforte convosco.

33 O Deus de paz seja com todos vós. Amen.

 


16

1 Recomendo-vos a nossa irmã Febe, que serve a Igreja de Cêncreas,

2 para que a recebais no Senhor, como devem fazer os santos, e a ajudeis em tudo o que de vós tiver necessidade, porque ela também ajudou a muitos e a mim próprio.

3 Saudai Prisca e Áquila, meus cooperadores em Cristo Jesus,

4 os quais arriscaram as suas cabeças pela minha vida, o que não só eu lhes agradeço, mas também todas as Igrejas dos gentios.

5 Saudai também a Igreja que se reúne em sua casa. Saudai o meu querido Epéneto, primícias da Ásia em Cristo.

6 Saudai Maria, que muito trabalhou entre vós.

7 Saudai Andrónico e Júnia, meus parentes e companheiros de prisão, que são ilustres entre os apóstolos e me precederam em Cristo.

8 Saudai Ampliato, meu caríssimo no Senhor.

9 Saudai Urbano, nosso cooperador em Cristo, e o meu amado Estáquis.

10 Saudai Apeles, provado em Cristo.

11 Saudai os da casa de Aristóbulo. Saudai Herodião, meu parente. Saudai os da casa de Narciso, que estão no Senhor.

12 Saudai Trifena e Trifosa, que trabalham no Senhor. Saudai a nossa muito amada Pérside, que trabalhou muito no Senhor.

13 Saudai Rufo, escolhido no Senhor, e sua mãe, que considero como minha.

14 Saudai Asíncrito, Flegonte, Hermes, Pátrobas, Hermas e os irmãos que estão com eles.

15 Saudai Filólogo e Júlia, Nereu e sua irmã Olimpas, e todos os santos que estão com eles.

16 Saudai-vos uns aos outros com o ósculo santo. Todas as Igrejas de Cristo vos saúdam.

17 Rogo-vos, irmãos, que vos acauteleis daqueles que causam divisões e escândalos contra a doutrina que aprendestes, e apartai-vos deles

18 porque esses tais não servem a Cristo Nosso Senhor, mas ao seu ventre; e com palavras doces e adulações, enganam os corações dos simples.

19 A vossa obediência em toda a parte se tornou notória. Alegro-me, pois, por vós, mas quero que sejais sábios para o bem e simples para o mal.

20 O Deus da paz esmagará em breve a Satanás debaixo de vossos pés. A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja convosco.

21 Saúda-vos Timóteo, meu cooperador, e Lúcio, Jasão e Sosípatro, meus parentes.

22 Eu, Tércio, que escrevi esta carta, saúdo-vos no Senhor.

23 Saúda-vos Caio, meu hospedeiro e de toda a Igreja.

24 Saúda-vos Erasto, tesoureiro da cidade, e Quarto, nosso irmão.

25 Àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu Evangelho e a pregação de Jesus Cristo - segundo a revelação do mistério da salvação encoberto desde toda a eternidade,

26 mas agora manifestado pelos escritos dos profetas, segundo o mandamento do Deus eterno, para que, conhecido de todos os gentios, os leve a obedecer à fé -,

27 a Deus, o único sábio, seja dada honra e glória por Jesus Cristo, pelos séculos dos séculos. Amen.